O Luta

O que é o Luta

O Laboratório da Utopia (Luta) é um projeto ligado à Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Brasil, em ação desde 2015. O objetivo do projeto é fortalecer as utopias que já acontecem, produzindo conhecimento a respeito delas e contribuindo com sua disseminação e reprodução. Falamos em utopias no sentido de experiências utópicas, utopias que acontecem aqui e agora, ou seja, ações concretas inspiradas na imaginação da sociedade que desejamos. 

Consideramos utópicas as práticas que subvertem as formas hoje consideradas “normais” de viver a vida e que experimentam alternativas na prática. O “normal” atual é inaceitável, pois sustenta desigualdades sociais, destruição ecológica e outras violências. Contra as convenções do dinheiro, da hierarquia, do individualismo, do consumismo, buscamos fomentar as práticas sociais de solidariedade, cooperação, criatividade, afeto e cuidado, construtoras de formas de vida equilibradas e saudáveis. 

Alguns exemplos vivos em Florianópolis são o Banco de Tempo, o Armário Coletivo e a Célula de Consumo Responsável. Essas e outras numerosas experiências vivenciam modos de produzir, consumir, trocar, viver e relacionar-se a partir da coletividade, sensíveis ao cuidado e ao respeito à diferença, potencializadoras de laços comunitários e igualitários, e integradas à natureza. São dezenas de experiências utópicas em Florianópolis e incontáveis ao redor do mundo.

A imaginação de um mundo melhor brilha no horizonte, mas as experiências se fazem na ação imediata. Por esse ponto de vista, utopias não são impossíveis, mas realidades que se constroem no caminho. As experiências utópicas mostram que outra sociedade não apenas é possível, mas já está acontecendo. Se você não aguenta mais o capitalismo e seus parentes – patriarcado, racismo, injustiça etc. – você está em casa. Vamos construir uma sociedade diferente?

Organizar para espalhar, aglutinar para dispersar: contaminação em cadeia de um mundo nascente. Multiplicação por contágio. Urgência de tecer alianças, ampliar conjuntamente os horizontes do possível (mais: do desejável). Pela utopia que já está aí.

O que fazemos

O Luta identifica, sistematiza e dissemina experiências utópicas. Consideramos como utópicas as experiências que escapam ao modelo dominante, criam outros modos de viver e cultivam novas formas de conhecer. Outros jeitos de estar na Terra. Novos jeitos de pensar o pensamento e excedê-lo.

O projeto articula-se em três eixos: identificação, sistematização e disseminação. 

A identificação é a atividade de busca e mapeamento das práticas utópicas. Para enxergá-las, é preciso abrir a visão: muitas dessas experiências acontecem à margem da sociedade dominante e geralmente fora da grande mídia. 

A sistematização consiste na documentação e no estudo das mesmas, em parceria com os sujeitos que realizam essas alternativas. 

Finalmente, o Luta fortalece a disseminação dessas práticas, produzindo mecanismos multiplicadores: construção de banco de dados, disponibilização de material informativo e didático, organização de cursos de formação, colaboração com escolas e comunidades para replicar experiências. 

O Luta também realiza e incentiva a pesquisa acadêmica acerca desses outros modos de operação social, política e econômica. Como sociabilidades alternativas, exigem repensar e recriar as práticas do próprio universo acadêmico e as formas de pensar e saber que nele circulam. Estimulamos e abrimos espaço à experimentação metodológica, explorando instrumentos ainda não conhecidos ou consolidados (leia mais a respeito nas seções biblioteca e Tópicos Utópicos). 

A utopia nos instiga por sua dimensão social e por sua potência epistemológica. Passear com a ação e com o saber em direção ao que apenas espia, ao desconhecido que emerge, à face externa do concebível, ao que excede a imaginação, impele ao diferente e mira o impossível. Como proferiu um aliado: “Pensar significa descobrir, inventar novas possibilidades de vida… Não há nunca outro critério senão o teor da existência, a intensificação da vida”.

Nossa Equipe

Jacques Mick é professor do Departamento de Sociologia e Ciência Política da UFSC, onde atua nos programas de pós-graduação em Jornalismo e em Sociologia e Ciência Política. Imaginou o Laboratório da Utopia (Luta) no início de 2015, ao ver o mundo de cima, numa viagem transatlântica em que tentava colecionar os efeitos, sobre o planeta, de iniciativas revolucionárias (umas mais, outras menos) levadas a cabo por pequenos grupos conscientes dos efeitos perversos do capitalismo sobre a natureza e as gentes. Desde então, trabalha no Luta junto com a Noa.  
Noa Cykman é doutoranda em Sociologia na University of California, Santa Barbara (UCSB). Amiga das palavras e das utopias, sua pesquisa gira em torno de transformações sociais rumo a outros mundos possíveis. Noa é graduada em Ciências Sociais e mestra em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina, onde fundou e coordena o Laboratório da Utopia (Luta). Participa do projeto EcoVista na UCSB. Gosta de mergulhar no mar e de pegar ondas, cantar e tocar violão, escrever poemas, viajar, fazer fogueira e acampar na natureza.
Vanessa Cargnin de Caldas é bacharel em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Gosta de escrever sobre trabalho, revoluções na episteme e investiga ontologias. Atualmente escreve um livro de poesia e é ilustradora.
Fernanda B. Lima é  graduanda em Ciências Sociais na Universidade Federal de Santa Catarina, trabalha com comunicação, apaixonada por tendências de comportamento no mundo digital, música e alimentação.
Jussara Dagostim é artista visual e têxtil, designer pelo Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e mestranda em moda pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Pesquisa temas como sustentabilidade, novas economias, compartilhamento e alternativas às formas como atuamos na Terra. Fez parte do projeto Design Possível (DP-SC) no IFSC, onde viu possibilidades de mudança através da criatividade e do coletivo e ingressou no Luta em busca de somar em conjunto. É vegana, ashtangi, apaixonada pelo movimento do corpo, por cozinhar, criar com linhas e tintas e pela poesia da vida em todas as formas.