Nossa Utopia

Nossa Utopia

No Luta, cultivamos uma utopia em constante metamorfose. Sonhamos com uma cidade utópica onde todo mundo tem o que precisa e a vida é gostosa, divertida e poética. O acesso a tudo é livre, mas ninguém consome em demasia. Nunca se viu um shopping center – os habitantes desse território imaginado não poderiam nem mesmo entender o propósito de um tal edifício… Os espaços públicos para socialização são praças, parques, bibliotecas, que recebem cuidado público e movimentação. Teatros e cinema são locais de grande valor para a sociedade. Em vez de investir na produção de bens materiais industriais, que produzem lixo e apenas ilusões de satisfação, a cidade está repleta de experiências artísticas e invenções inusitadas.

Os principais meios de transporte são as rodas das bicicletas, as pernas e a mente. Chega-se muito longe… A natureza é exuberante e as pessoas humanas participam dela integralmente, em trocas recíprocas com plantas, abelhas, fungos, nuvens, rios, fogos, solos etc. Não se sabe o que são burocracias, rotas policiais, turismo desenfreado ou ruas e trânsito superlotados.

As estradas não têm asfalto nem pressa, e há florestas por todas as partes, inclusive em áreas urbanizadas. Caminhando ao acaso, veem-se casas coletivas, feiras de rua com produtos locais, arte e cultura em espaços públicos, pessoas praticando esportes individuais e em grupos. Além das florestas, há jardins e agroflorestas por todos os lados e nos quintais das casas.

Utopicamente falando, sonhamos a desaceleração do modo de vida. Voltar o olhar para a saúde mental e física que acontece por meio de um estilo de vida com propósito, o plantio de alimentos orgânicos, a saúde do corpo, as trocas por meio de tempo (como o banco de tempo), ou o que eu tenho que posso oferecer em troca do que preciso? O coletivo pensa como coletivo para se ajudar, fugindo dos acúmulos individuais… E o coletivo inclui todos os seres, de todas as espécies e reinos.

Há muitas narrativas, livros, lendas, tradições com imagens de um mundo perfeito – ideias religiosas de paraíso, utopias literárias e políticas, futurismos ancestrais de povos nativos e por aí vai. De jardins mágicos ao fim do dinheiro, a imaginação de cada pessoa tensiona os limites em direções diferentes para inventar o melhor dos mundos. E você: aonde te leva sua imaginação? Dentro de suas mais loucas ideias, como se pareceria a sociedade ideal?

O primeiro passo para construir um mundo diferente é sermos capazes de imaginá-lo. Por isso, nós (nos) propomos essa pergunta como um exercício utópico-político. Então, o convite: façamos uma viagem ao ponto de caos, onde nada está dado. Respire fundo e siga lendo com o coração aberto.

A imaginação está solta, liberta do dogma, ela acolhe todos os possíveis.
Não há apenas quatro direções, há mais de 360º em torno de nós.
Nossa mente é um campo aberto, vasto, enormes campos de terra fértil em que toda semente ou toda ideia brota instantaneamente como realidade.

Podemos imaginar o que quisermos. Imaginemos uma utopia: como se parece a melhor vida que podemos viver na Terra? Tome um tempo para visualizar. Imagine suas relações: como são os encontros? Como são as pessoas? Como é o dia-a-dia, como começam as manhãs? Como ocupamos o tempo? Como usamos o espaço? Como interagimos com o planeta? Como é nosso vínculo com a natureza? Como funciona o trabalho? De que modo produzimos, criamos e trocamos? Como você funciona – seu corpo, sua mente, seus pensamentos, sentimentos, sensações? Como você absorve os estímulos do mundo e responde a eles? Como faz escolhas e toma decisões? Que partes de você estão presentes? Como se expressam? Como funciona sua consciência? O que você busca saber? Como faz para saber? O que conhece?